Lançando o pão
Um grande e dinâmico evangelista, que por longos anos atuou no
sertão baiano, foi certa vez interceptado por um assaltante, quando
viajava montado em seu animal.
Não carregava nada de grande valor em sua minúscula bagagem, senão o
seu único bem material - um relógio de bolso embrulhado num
pedacinho de papel que continha um impresso; era uma mensagem do
Evangelho de Cristo e, já era o bastante para o ladrão que o levou.
Vários anos se passaram depois desse incidente e, então, à época das
chuvas esse mesmo evangelista viajava novamente naquela região, onde
acontecera o assalto.
Lá, dessa feita, em companhia de um garoto. As chuvas caíam com
tanta intensidade que confundia o rumo das picadas que serviam de
caminho.
Assim, os dois viajantes se perderam, e só ao cair da tarde
alcançaram uns casebres.
Relatando o ocorrido naquele dia chuvoso, o pregador pediu pousada e
comida para os dois que estavam não só cansados, mas também
famintos.
O dono da casa se mostrou pronto, porém, olhava o evangelista
penetrantemente, dos pés à cabeça.
Pediu que descessem dos animais, alimento-os e preparou as redes
para acomodar os visitantes.
O jantar ficou pronto e os hóspedes foram os primeiros a serem
servidos.
Enquanto saboreavam a tão bem-vinda alimentação, o dono da casa,
dirigindo-se ao recém-chegado, disse-lhe:
- O senhor me conhece, não é? Vem de longas datas o nosso
encontro...
- Sinceramente, não me recordo de havê-lo visto em qualquer época da
minha vida...
Não estará enganado? - foi a resposta do evangelista.
Para provar que não havia engano, o dono da casa pediu licença e
saiu da mesa por um momento.
Quando voltou, estendeu-lhe a mão, dizendo:
- Não se recorda de me haver visto, não é? Mas o senhor não pode
negar que conhece este relógio, certo?
- Oh, sim! - acudiu o pregador. - Dei-o a um amigo meu há vários
anos!
- Não é bem assim - foi a resposta do anfitrião.
- O senhor teve de entregá-lo a um ladrão e assassino. Foi ou não
foi?
Antes que o hóspede procurasse uma explicação, ele lhe mostrou o
impresso que envolvia o relógio na ocasião do assalto, já quase em
pedaços, pelo constante manuseio.
Fazendo isto, continuou dizendo:
- Desde que li as palavras contidas neste pedacinho de papel, eu me
tornei uma nova criatura.
Agora sou um homem honrado e digno.
Em lágrimas, os dois se abraçaram.
A mensagem que caiu nas mãos do malfeitor transformou-lhe a vida.
Que grande bênção saber que a Palavra de Deus "não voltará vazia."
Ela opera reais transformações e preenche a vida indigna de tantas
criaturas.
Lembre-se disso, sempre que levar a alguém o recado divino.
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