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Imitado inteligentemente
Dois animais, domesticados para o trabalho de transporte de cargas,
caminhavam lado a lado, levando em seus lombos diferentes
carregamentos: um levava açúcar e outro transportava esponjas de uso
doméstico.
O primeiro, mais experiente e comedido, dizia prudentemente:
- Caminhemos com muito cuidado porque a estrada se apresenta
perigosa.
- Pode me dizer onde está o perigo? - quis saber o outro,sem
preocupação.
- Há sinais visíveis de que outros já passaram por aqui antes de
nós; então é importante que andemos pelo rastro que eles deixaram e
tudo irá bem.
- Na prática nem sempre é assim. Onde passa um, pode ser
inconveniente para outros - voltou a argumentar o primeiro.
- Que estupidez! Eu também conheço a vida e disso até me gabo.
Minha filosofia toda se resume em imitar sempre o que outros fizeram
com sucesso.
Vá por mim e não se arrependerá - respondeu o outro.
- Nem sempre é assim... Olha o que eu digo... - defendia ainda os
seus princípios, o primeiro animal.
E nesse repetitivo é-não-é, prosseguiram os dois na sua caminhada.
Já se encontravam exaustos, quando alcançaram um rio relativamente
estreito, porém com águas caudalosas.
Devido às fortes chuvas caídas na antevéspera, a frágil ponte, já
apodrecida pelo tempo, fora arrastada para bem longe pela
correnteza.
E agora? O que fazer? Discutiram demoradamente o assunto e,
finalmente, opinou o mais filósofo dos dois:
- Não há outra alternativa. Agora a única saída é passar a vau.
Aquele que transportava a carga de açúcar meteu-se na correnteza e,
como o carregamento se ia dissolvendo ao contato da água, conseguiu
sem maiores dificuldades pôr pé na margem oposta.
O outro que carregava as esponjas de uso doméstico, fiel às suas
idéias conforme afirmara no início da jornada, pensou consigo mesmo:
se o colega passou sem qualquer avaria, é claro que eu vou passar
também.
Não há o que temer e precisamos chegar, e se lançou ao rio.
Mas sua carga, em vez de esvair-se como acontecera com a do colega,
cresceu de peso a tal ponto que o tolo infeliz foi ao fundo.
Embora consternado com o triste fim do companheiro, o sobrevivente
refletiu:
- Bem dizia eu. Não basta querer imitar, é necessário poder
fazê-lo...
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