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O perigo da fé
caranguejada.. (Thinonin)
Um documentário sobre caranguejos
levou-me a pensar num fato que pode combinar com a atitude de muita
gente. Enquanto que no mangue esses crustáceos ficam esperando a
queda das velhas folhinhas amarelas que a farta vegetação lhes
oferece, podem cometer um tipo de autodestruição por conta do que
podemos chamar de falta discernimento ou desconfiômetros. Ocorre
que, se uma criança ou mesmo um adulto, lançar objetos como uma
chupeta ou bexiga, os caranguejos os pegam e nas tocas os devoram
como se fossem o mais suculento prato do dia. Infelizmente, por
causa da quase certa intoxicação, morrem.
Quantos são incapazes ou não desejam fazer uma análise diante das
muitas doutrinas e ensinamentos que são lançados no território da
alma a cada dia? Não é de hoje que se diz que nem tudo o que reluz é
ouro. Mas parece que para muitos reluzir já está de bom tamanho. A
capacidade de conhecer e reconhecer o falso do original não é tão
fácil quando não se sabe a fundo o verdadeiro, principalmente nesses
dias quando o falso está com o maior jeitão de verdadeiro. Na semana
passada vi uma nota de R$ 10 falsa. Confesso que só soube que era
falsa porque me contaram. Se fosse trabalhar no comércio eu teria
que fazer um bom treinamento em cima dos detalhes que me levariam
saber onde o falso pode se esconder numa cédula. Claro que a melhor
forma de conhecer o errado é conhecer o máximo do certo.
O mestre e Senhor Jesus deixou claro a razão dos nossos erros:
“Errais por não conhecer as escrituras e nem o poder de Deus”.
(Mateus 22:29). É triste dizer que apenas 1% dos evangélicos leram a
bíblia toda. Esses dias pregamos num evento e confesso que não devia
ter perguntado: “quem aqui já leu a bíblia toda pelo menos uma vez?
Apenas uma senhora, ainda que muito timidamente, levantou a mão. Não
haveria intoxicação com a leitura da bíblia toda um dia e de toda a
bíblia sempre.
Quanta intoxicação pelo fato de se consumir tudo que vem do alto e
em nome de Deus. Falou que é de Deus tudo bem. Faz orações, expulsa
demônios em nome de Jesus, profetisa, canta, fala noutras línguas,
efetua curas, então é de Jesus. Se a embalagem é gospel será que o
conteúdo vai ser do gosto de Deus? Nem sempre. Jesus ainda advertiu
sobre o cuidado que deveríamos ter quanto aos muitos que viriam em
seu nome, em lugar e com cara de comida. (Lucas 21:8). Lembro-me de
um senhor que, por achar que todo pássaro amarelo era um canarinho,
acabou comprando de um picareta, um pardal pintado de amarelo,
achando que era canário da terra. Parecia canário, mas logo sua cor
e comportamento foram mostrando quem o coitado realmente era.
A cada dia muita coisa com requinte de glorioso maná cai em nossas
divisas. A simples fome e a vontade de comer, poderá fazer com que
comamos o que der e vier. Essa fatalidade teve sua inauguração em
pleno Éden, atravessou a bíblia e ainda chega em nosso território. A
lição de Daniel é a da decisão. De-cisão: quebrar, romper, cortar.
Para não engolir a majestosa comida palaciana Daniel precisou romper
primeiro consigo mesmo e depois determinar seus passos nos trilhos
da santidade.
Pela falta do discernimento muitos comem da ceia do Senhor e logo
adoecem, dormem e morrem. (1 Coríntios 11:29). Comer desse pão ou
beber do cálice da ceia indignamente é comer por comer, beber como
se fosse uma bebida qualquer, se esquecendo do compromisso e
avaliação que se deve fazer. Tomar da ceia como ritual, comendo em
nome do amor, mas odiando; em nome da comunhão, mas vivendo em
guerra com outros; em nome da pureza, mas vivendo atolado nos
oportunos pântanos das trevas é caranguejar na fé. É como consumir
uma substância tóxica. O efeito é devastador: dorme, adoece e morre.
Um abismo vai chamando outro abismo.
Sem discernimento, vamos engolir de tudo o que vai na verdade nos
deixar sem nada. Como dizia o inesquecível professor Manoel lá na
escola dominical: “Sem visão vamos engolir o sapo e ainda elogiar o
chatchup”.
Atenção, cuidado: Os lindos pratos dos velhos prazeres e paixões
ainda chegam com jeito do mel que na verdade esconde o fel. Vamos
vencer a fome não só pelo fato de comer, mas o que comer e como
comer.
Peçamos a Deus discernimento, mas façamos a nossa parte para que não
venhamos considerar peixe tudo o que for lançado em nossas redes.
“Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e,
entretanto, não sabeis discernir esta época?” Lucas 12:56.
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