|

Num
determinado ponto da viagem notei a enorme placa na encosta
da montanha que anunciava sobre a Casa do pão a uns quilômetros
naquela rodovia. O painel era grande e bonito, o que fez me ainda
mais interessado em comprar alguns exemplares. Pensei no famoso e
irresistível pão caseiro, e porque não saborear naquela tarde um
crocante pão de queijo? Ah, já que é “casa do pão” não vai deixar de
ter o pão de alho e o pão doce recheado com coco, goiabada ou doce
de leite. Quando entrei dentro da “casa do pão”, além de não sentir
cheiro de pão, o que muito caracteriza sua presença em qualquer
ambiente, logo notei que não era apenas casa para possíveis pães,
pois havia tudo que um bom posto de conveniência oferece. O problema
foi que a única coisa que não tinha na “casa do pão” era pão.
A princípio me senti vítima de propaganda enganosa, absurdo,
contraste, paradoxo. Sai da casa do pão como entrei: sem pão. Não
achar pão na casa que diz ser dele, é como não ver noivos no dia das
núpcias.
Ao entrar no carro e seguir viagem comecei a pensar num monte de
coisas que podem estar parecendo com esse negócio de embalagem sem
produto. Já pensou uma Igreja de Deus sem Ele? Um homem de Deus sem
o Deus do homem? Um natal sem o aniversariante? Oração sem fé? Poder
sem autoridade ou....? Pois é, acho que tem tanta gente alegre sem
alegria; pessoa bonita sem beleza, rica sem dinheiro, sabida sem
sabedoria, etc. Acho que dá pra pensar no nosso amigo mineirinho que
gosta de chamar tudo de trem, mas um dia dentro do trem, notei que
ele chamava o TREM de coisa. Nossa! Tanta casa de cristão com
livros, hinários, lenços, rosas e pedras ungidas, mas será que
Cristo está lá ou continua batendo na porta?
Sardes, uma das sete igrejas apocalípticas, fora exortada pelo fato
de ter nome de viva. Era possível encontrar nela muito do que nem
precisaria numa igreja. O que ela mais pregava não tinha: VIDA.
Apoc. 3:1. Meu pai gosta de falar duma igreja onde o porteiro
impediu que um menino entrasse pelo fato dele estar muito sujo.
Chorando, o garoto sentou-se na calçada, quando chegou um cidadão e
perguntou-lhe pelo motivo do choro. - É que não me deixaram entrar
na igreja. - Não fique triste filho - respondeu o homem- eu também
não tenho podido entrar ai há muito tempo. Ao falar isso logo
desapareceu. Certamente era o Senhor Jesus para falar o mesmo que
pode estar falando de muitos lugares que têm e fazem tanto em seu
nome, mas não tem a sua pessoa: Casa do pão sem pão.
Mundo capetalista, esposo de mulher, mas sem a tal, esposa de marido
vivo-morto, filhos de pais, mas sem eles.
Jesus, o pão vivo que desceu do céu, é o maior milagre da
multiplicação de si mesmo, pelo fato de se revelar naqueles que o
aceitam. (João 6:32).
Quando participamos da ceia do Senhor estamos confirmando a causa e
o efeito duma ação divina que supriu nossa fome numa padaria com
pão.
O restaurante não precisa ser bonito, mas a comida pode e deve ser
agradável, a menos que alguém queira pagar apenas pelo que se é e
não pelo que se tem. O grande método, a maior estratégia para atrair
pessoas que se sentirão satisfeitas e realizadas, está na presença
dominadora de Deus. Sem isso a casa do Pão será uma casa de
conveniências de meros encontros cheia de nada e vazia de tudo.
Não foi como o diabo quis, mas a grande pedra angular de Deus na
cruz, foi transformada no pão do fortalecimento disponível a todos
os que o procuram. Como já dizia a vovó: não precisamos comer o pão
que o diabo amassou, mas podemos comer e ser do pão que amassou o
diabo.
Que o mundo note que você, mais do que o nome, tem a essência duma
casa de pão com pão quente, cujo aroma se manifesta por todos os
lugares. Que na sua casa de pão, mesmo não tendo de tudo, tenha um
pão que diariamente é partido e repartido num estilo de vida, onde
exemplos falam mais que palavras.
Que sua vida seja uma casa do pão com pão. Ainda que sejam cinco
pães ou um, em Deus a multiplicação será sempre uma realidade.
Thinonin, pastor em Londrina
Clique aqui se quiser ouvir a meditação |