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SENHOR AUSENTA-TE DE MIM PORQUE SOU UM HOMEM PECADOR

Pr. Paulo Saderi Vila Industrial - Londrina


Jesus costumava dar mais atenção aos cansados, sobrecarregados, oprimidos e excluídos, convidava os famintos e sedentos para saciá-los, pois era o pão vivo e a fonte de água viva. Disse que felizes eram os mansos, os puros de coração, os misericordiosos, os pacificadores, os que têm fome e sede de justiça e os perseguidos. Mas a uma classe de pessoas Jesus deu atenção especial: aos pecadores.
Quando todos corriam deles e os excluíam para não se contaminarem com seus pecados e não se comprometerem, Jesus os convidava, ia à casa deles, comia e dormia com eles.
Jesus superou críticas maldosas, venceu os preconceituosos fariseus e os olhares e menear de cabeças dos religiosos extremistas, além dos legalistas de plantão. Sua missão principal era chamar os pecadores ao arrependimento, por isso tinha que ir até eles e estar com eles. Quando questionado disse que veio por causa dos enfermos, e não dos sãos que não precisavam de médico, e Ele é o médico que dá atenção ao doente e descanso para sua alma. É preciso reconhecer que enquanto estivermos nesse mundo sempre teremos algum tipo de “enfermidade”.
A santidade e a perfeição consistem em buscá-las, porque nós, seres humanos, somos diferentes, complexos e falhos. É preciso reconhecer que todos os dias, seja por comissão ou omissão, nós pecamos, até contra vontade como Paulo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.” (Rom. 7.19), mesmo assim ele disse: “Sejam meus imitadores como eu sou de Cristo”. Isso significa que Deus é Deus e o homem é homem, e o Senhor não requer outra coisa de nós. Paulo também não usava o “púlpito ou a Bíblia” como blindagem para proteger sua pele ou ministério.
Nós, líderes e pastores, quanto mais admitirmos nossas falhas e fraquezas humanas, perante Deus e as pessoas, agirmos com naturalidade e sinceridade, menos cobrados e pressionados seremos, as pessoas não nos colocarão num pedestal, embora alguns gostem disso, exerceremos o ministério com mais alegria e bom humor. O que para muitos é um fardo pesado e sacrifício.
Quando reconhecemos e temos consciência que erramos e pecamos, somos menos exigentes para com as pessoas, pois sabemos que elas, como nós também erram, e todos nós temos nossos limites. Aprendemos a ser mais flexíveis e tolerantes e não exigir das pessoas que façam o que está além da sua capacidade. Dessa forma ofenderemos e magoaremos menos as pessoas, principalmente as que estão mais próximas de nós, as quais mais nos ajudam.
Mesmo alguém tendo o chamado divino para exercer um ministério, e por melhor que o exerça, é importante deixar claro para todos, que como Elias e muitos personagens bíblicos, nós temos as mesmas paixões. Dessa forma não criaremos e nem criarão para nós um rótulo de super-crente infalível (embora alguns gostem disso também), ao qual nos esforçaremos e sacrificaremos para mantê-lo, preservando uma falsa imagem e ser o que não somos. Aí passamos a viver a hipocrisia e o farisaísmo, ambos combatidos por Jesus.
Em conseqüência disso evidencia na vida da pessoa a tristeza e a frustração por não fazer o que gostaria e nem ser quem gostaria de ser, criando barreiras na família, no ministério, nos relacionamentos, e principalmente na própria pessoa. Surgem então diversos tipos de crises, principalmente a de identidade que tem levado muitos à depressão. Certa vez o Pr. Marcio Valadão da igreja Batista da Lagoinha me disse uma frase que merece reflexão: “Normalmente dizem que o líder ou o pastor deve viver o que prega, eu, porém, considero mais importante pregar o que vive.”
Não defendo um evangelho libertino, mas sim, um evangelho que liberta, que resgata o pecador do lamaçal, que informa e transforma o pecador, que levanta o caído, trazendo amor, paz, esperança, alegria e salvação para as pessoas.
Na parábola do fariseu e o publicano (Lc.18: 9-14) foi o publicano quem voltou justificado porque admitiu ser um pecador e pediu misericórdia. Enquanto o fariseu “super-religioso” procurou justificar-se por suas obras, não se considerando um pecador e ainda humilhando o outro. Todos nós precisamos da graça e misericórdia do Senhor para não sermos consumidos.
Temos muitos exemplos bíblicos onde Jesus combate fortemente e critica os fariseus e hipócritas, defendendo os pecadores arrependidos como: A mulher na casa de Simão (Lc. 7), Zaqueu (Lc. 17), na casa de Mateus (Mt. 9), a mulher adúltera (Jo. 8) e outros que tiveram um encontro com o Mestre.
Pedro, não somente teve um encontro com o Jesus, mas um confronto ao qual evidenciaram algumas características humanas com as divinas:
- O imperfeito com o perfeito;
- O pecado com o perdão e a graça:
- O finito com o eterno;
- O humano com o divino;
- O fraco e limitado com o forte e poderoso;
- O mau com o bem e o amor.
Desse encontro e confronto emanou de Jesus o amor de Deus para Pedro, ele sentiu isso, reconheceu seu estado, olhou para si, como Isaias no cap. 6, e por isso disse: “...Senhor, ausenta-te de mim porque sou um homem pecador.” Muitas vezes, mesmo o ser humano pedindo para o Senhor se ausentar dele, ou pensando que morrerá, ou até mesmo ser menosprezado após um encontro com o Senhor, Ele não se ausenta, mas nos promove e sempre tem uma missão para nós, como para eles. Por isso temos que sempre estar encontrando com o Senhor.
Infelizmente, hoje a igreja dos desviados e excluídos é maior do que a igreja praticante que cria barreiras moralistas ao extremo, usos e costumes à beira do farisaísmo, que inibe o pecador de se aproximar de um Deus que ama a todos incondicionalmente e não faz acepção até mesmo daqueles que não sabem discernir “entre a mão esquerda e a direita”.
É preciso considerar alguns aspectos que podem ser as causas de poucas conversões atualmente e a baixa freqüência dos crentes na igreja:
- Que tipo de mensagem estamos pregando?
- Somos uma igreja discípula e missionária?
- Qual e como está o nosso relacionamento com as pessoas?
- Estamos indo até os pecadores, ou estamos correndo deles?
- Estamos mais preocupados com a nossa imagem e a opinião das pessoas, ou com
a opinião de Deus?
- Temos receio que os pecados das pessoas contaminem a nós, a igreja, e deixemos
de ser luz para esse mundo que está em trevas e refletir a glória do Senhor?
Sendo o mundo o grande objetivo de Deus, que possamos refletir sobre nossos comportamentos e ver por quais caminhos estamos andando, afim de que as pessoas possam ver em nós um Cristo que ama, perdoa e salva.

A Deus toda glória.

 



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