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O sétimo homem na vida de uma mulher Seria
possível ter algo melhor?
Por Mauricio Antonio
Acordo no meio da madrugada inquieto com pensamentos sobre os rumos
que estou tomando nesses dias. Não penso no caos social, político ou
econômico em meio a que vivo. Admito que fatos como estes tiram o
sono de qualquer pessoa. Entretanto, percebo que minhas reações e
estímulos parecem estar comprometidos e meus sinais vitais
adormecidos e isso realmente me tira o sono.
Tenho a impressão de, às vezes, estar carregando diariamente um peso
maior do que posso suportar. Me vejo escravo de uma agenda que não
me dá folga (aonde se arruma tanto compromisso?). Os momentos de
reflexão já foram há muito comprometidos e substituídos por
atividades enfadonhas e vazias. Estou tão ocupado com grandes
projetos por mim desenhados que quase não acesso minha enorme lista
de pedidos e preces. Pedidos estes, que acredito: "Ao serem
atendidos serei plenamente feliz". A espiritualidade pretendida e
tão sonhada já não é mais objeto de desejo. O Cansaço mental e
físico me afasta de qualquer tipo de reunião religiosa. Percebo a
perda de valores. Aquilo que mais eu deveria apontar a mira de minha
atenção está crescendo perto de mim. Temo que, algum dia, sem que eu
perceba, aquela menininha abra a porta do meu escritório e diga
"pai, onde estão as chaves do carro?". Deus, eu não a estou vendo
crescer...
Pergunto com freqüência: O que procuro? Onde quero chegar? Quanto
espero ajuntar? Quantos prazeres será o suficiente?
Esses questionamentos se deram até que fiz parte da história, talvez
não monótona mas bastante vazia de uma mulher, sem dúvida,
religiosa. Eu mal a conhecia. Ainda mora aqui na minha cidade.
Cruzávamos com freqüência pelas ruas e até em reuniões de bairro.
Parecia-me muito ativista, não deixava de modo algum compromissos.
Em dias de festas, participava ativamente da decoração da Praça.
No bairro onde moro temos problemas de abastecimento de água. Há bem
perto daqui um reservatório, onde a Prefeitura disponibiliza água
potável em situações de emergência. É comum vê-la transportando
tambores desta água em sua caminhonete – trabalho pesado para uma
mulher. Um dia, um vizinho me disse que ela confessou ser confusa a
respeito da religião. Disse que não tinha certeza de estar fazendo
suas preces de maneira aprovada. A única certeza que tinha era de
que um dia o caminho lhe seria mostrado através de alguém realmente
enviado.
Não sei porque esta mulher me chamava tanto a atenção. Parecia ter
um olhar fundo – olhar de quem pedia socorro. Era comum perceber o
vazio que permeava sua vida. Em uma dessas conversas de esquina,
confessou em prantos à minha esposa que casou-se várias vezes e,
após o ultimo divórcio, começou a se encontrar com o dono do mercado
da avenida principal. Dizia estar se sentindo vil por saber que era
pivô de um eminente divórcio.
Mas foi em um domingo que minha vida e a dela se cruzaram e
convergiram para uma espetacular mudança. Após o almoço, por algum
motivo, escolhi não assistir a final dos jogos e sai pela rua
chutando cascalhos e refletindo em minha vida. Como dizia um amigo:
"vida vazia de tudo e cheia de nada". Enquanto pensava percebi o
silêncio da rua sendo rompido por gritos. Fui a primeira pessoa que
aquela mulher encontrou. Apertando minhas mãos e olhando-me
fixamente com olhos de alegria exultante, e me disse: "Ele falava
sobre os cinco maridos que tive". Com voz trêmula e tomada de emoção
confessou: "Ele falava que não me pertencia este sexto homem em
minha vida. Ainda sem compreender, tentei acalmá-la e pedi que
explicasse o que houve. Ela prosseguiu pausadamente: "Aconteceu há
pouco, por volta do meio dia, quando retirava água no reservatório
encontrei um livro aberto. A inscrição dizia: Evangelho segundo São
João. Observei o capítulo 4. Era minha história! Parece que falava
diretamente comigo. Eu li "se você beber desta água tornará a ter
sede, mas se beber da água que eu te der nunca mais terá sede. Um
rio de vida jorrará de dentro de você".
Não pude me conter, Corri até o reservatório. Fadigado pela euforia,
cheguei quase sem ar. Quando o avistei fiquei perplexo e até
repulsei falando comigo: "Mas é apenas o livro dos religiosos – não
passa de uma bíblia". Mas a curiosidade por conta da história
daquela mulher foi maior que minha repulsa. Sentei-me e, ao ler,
creio ter tido o mesmo sentimento que ela. Agora me sentia leve com
aquelas palavras. Quando voltei com o livro na mão encontrei-a
sentada. Havia algumas pessoas conversando com ela. Pareciam estar
maravilhadas. Quando me aproximei testifiquei aos demais: "o que
esta mulher está dizendo é verdade, o que ela está sentindo eu
também estou, não é só pela palavra dela que vocês devem acreditar.
Eu também li O Livro".
Está escrito que 7 é o numero da perfeição. O Sétimo homem na vida
daquela mulher era O personagem central daquele livro. Eu ainda me
emociono quando leio: "E disse Jesus: Vinde a mim todos os que estão
cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei".
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