Esses dias caiu do telhado de nossa casa um filhote de
pardal. Tentamos devolvê-lo ao ninho, mas o local era
inacessível. Eu e Nilda ficamos comovidos com o fato, a
ponto de adotarmos o bichinho como sinal de solidariedade a
fauna, entendendo que poderíamos salvar aquele, que já era
cobiçado por alguns gatos oportunistas. Até um nome
carinhoso lhe demos: Nico. Não é tocante? A todo instante
ele abria um enorme bico, que na nossa interpretação, era um
clamor obcecado por alimento. E claro: isso foi o que não
lhe faltou de modo abastado e triturado por nós, que mais
parecíamos garçons de churrascaria. Nada parecia saciar o
Nico. Era como jogar água com uma caneca num monte de areia.
Cada fragmento de comida que lhe descia a goela,
representava para nós um grande feito. Era tipo o aviãozinho
que fazíamos para os filhos consumirem a papinha do dia. Ual!!!
Ao mesmo tempo pensávamos: “Pena que por causa da pena que
vai chegar, logo o Nico voará e nem saberá o que estes
socorristas, paramédicos dum siate caseiro, lhe fizeram num
momento tão crítico.” Mas, valia pensar, não no que o
soldado Ryan, pensaria de seus resgatadores: o ato em si já
compensava tudo.
Porém, como salvadores de pardais, nosso destino parecia
fracassado. Não passamos no teste. Logo o nosso paciente
começou a passar mal. Tentamos improvisar uma UTI, mas nada
adiantou. Todas as tentativas foram inúteis: respiração boca
a boca, aliás, boca a bico, já não resolvia... Que pena! O
nosso penoso Nico, o papo cheio, o bem cuidado, não resistiu
e o óbito lhe fora inevitável.
O que devíamos colocar na autopsia moral? Excesso de comida,
ou comida errada? No que falhamos? Poderíamos ter procurado
um veterinário para dar uma boa dica?
Fico pensando nos pardais humanos que caíram do telhado da
graça. Deus os viu esfomeados e prontos para serem devorados
por tantos predadores. Deus, não quis lidar com o problema,
mas procurou ser a solução no problema. No resumo da bíblia,
“João 3:16”, vemos que Deus em Cristo veio a ser o sumo
pardal para entender, curar e salvar pardais. “Porque Deus
amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna”. Esse sublime pardal caiu para que os demais fossem
levantados; atraiu a doença para ser a cura, atraiu a morte
para ser a vida; incorporou a maldição para que fossemos a
bênção. Foi levantado numa vergonhosa cruz para atrair todos
a Ele. Compartilha conosco a sua carne partida e seu sangue
vertido para que tenhamos vida em abundância. Foi isso levou
Paulo a falar em alto e bom som: O amor de Cristo nos
constrange,” II Cor 5,14.
É isso que cada pardal humano poderia e deveria falar
também.
Isso é graça.. Tentar entender graça sem essa graça, não tem
graça.
Pastor Thinonin.
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