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OS TRÊS CONSELHOS PARA UM PAI
Autor: Desconhecido
Adaptado para teatro: Pr. Alex Sandro Capelari
Personagens:
1 – Juvenal:
2 – Sr. Osvaldo (fazendeiro):
3 – O/A viajante:
4 – Hospedeiro:
5 – Natalina (esposa de Juvenal):
6 – Lúcio (filho de Natalina):
7 – Narrador/a:
8 – Sonoplastia:
9 – Direção:
10 – Colaborações:
Materiais para o cenário:
3 pães, várias moedas, 1 toalha, 1 cabo de vassoura, 1 pano para
fazer a trouxa no cabo de vassoura, 1 enxada, 1 chapéu, 1 mala, 1
mesa pequena com 3 cadeiras e 1 faca sem corte, talco para
envelhecer o Juvenal e a Natalina
Vestimenta:
O mais simples possível pois se trata de pessoas pobres e há muitos
anos
NARRADOR/A: Um casal de jovens recém casados, era muito pobre e
vivia de favores num sítio do interior. Um dia o marido fez a
seguinte proposta à esposa:
JUVENAL: Querida eu vou sair de casa e vou viajar para bem distante,
vou arranjar um emprego e trabalhar até que eu tenha condições de
voltar e dar a você uma vida mais digna e confortável. Não sei
quanto tempo vou ficar longe de casa. Só peço uma coisa: que você me
espere e, enquanto eu estiver fora, seja fiel a mim que eu serei
fiel a você.
NARRADOR/A: Assim sendo, o jovem saiu. Andou muitos dias a pé,
(pausa) até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de
alguém para ajudar em sua fazenda:
JUVENAL: (bate palma) Bom dia !, meu nome é Juvenal, venho de muito
longe e preciso trabalhar. O senhor me aceita como empregado ?
FAZENDEIRO: Bem em primeiro lugar bom dia ! (aperta a mão do jovem).
Meu nome é Osvaldo e coincidência ou plano de Deus estou precisando
de um jovem forte, honesto e trabalhador para me ajudar no serviço
aqui na fazenda. O trabalho é seu rapaz !
JUVENAL: Sr. Osvaldo, eu só peço uma coisa para o Senhor. Deixe-me
trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir
embora, o senhor me dispensa das minhas obrigações. Eu não quero
receber o meu salário. Mas, peço que o senhor o coloque na poupança
até o dia em que eu sair daqui. No dia em que eu sair o senhor me dá
o dinheiro e eu sigo o meu caminho.
FAZENDEIRO: Está combinado Juvenal !
JUVENAL TRABALHA, SAI DE CENA PARA O ENVELHECIMENTO E VOLTA
TRABALHANDO:
NARRADOR/A: Conforme o acordo com Sr. Osvaldo, Juvenal trabalhou
durante vinte anos, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos,
ele chegou para o seu patrão e lhe disse:
JUVENAL: Sr. Osvaldo eu quero o meu dinheiro, porque estou voltando
para minha casa.
FAZENDEIRO: Tudo bem, nós fizemos um acordo e eu vou cumprir. Só que
antes eu quero lhe fazer uma proposta, tudo bem ? Eu dou a você todo
o seu dinheiro e você vai embora, ou eu dou a você três conselhos,
mas sem o seu dinheiro e você vai embora. Se eu der o dinheiro eu
não dou os conselhos e, se eu der os conselhos eu não dou o
dinheiro. Vai para o seu quarto pense durante a noite e depois você
vem e me dá a resposta.
JUVENAL NÃO CONSEGUE DORMIR, PENSA, ORA, PENSA, ORA
NARRADOR/A: Juvenal pensou durante dois dias e depois procurou o
patrão e lhe disse:
JUVENAL: Sr. Osvaldo eu quero os três conselhos.
FAZENDEIRO: Lembre-se Juvenal que se eu der a você os três
conselhos, eu não darei o dinheiro, ouviu bem ?!
JUVENAL: Tudo bem Sr. Osvaldo, mesmo assim prefiro os três
conselhos.
FAZENDEIRO: 1 – Nunca tome atalhos em sua vida. Caminhos mais curtos
e desconhecidos podem custar a sua vida; 2 – Nunca seja curioso para
aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal; 3 –
Nunca tome decisões em momentos de ódio e de dor, pois você pode se
arrepender e ser tarde demais. – Juvenal antes que eu me esqueça
aqui você tem três pães. Dois são para você comer durante a viagem,
e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar em casa.
JUVENAL SEGUIU SEU CAMINHO DE VOLTA À CASA
NARRADOR/A: Juvenal saiu para seguir o seu caminho de volta para
casa, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto
amava. (pausa) Andou durante o primeiro dia e encontrou um/a
viajante que o cumprimentou e lhe perguntou:
VIAJANTE: Pra onde você esta indo ?
JUVENAL: Vou para um lugar muito distante que levava mais de vinte
dias de caminhada pela estrada.
VIAJANTE: Veja ! Esse caminho é muito distante, eu conheço um atalho
que você chegará mais rápido.
JUVENAL FICOU CONTENTE E COMEÇOU A SEGUIR PELO ATALHO QUANDO
LEMBROU-SE DO PRIMEIRO CONSELHO DO SEU EX-PATRÃO:
NARRADOR/A: Juvenal ficou contente e começou a seguir pelo atalho
quando lembrou-se do primeiro conselho do seu ex-patrão:
FAZENDEIRO: (somente a voz) – Nunca tome atalhos em sua vida.
Caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida.
JUVENAL VOLTA A SEGUIR O CAMINHO ANTERIOR (CENA ENCENADA E NARRADA
ATÉ O SEGUNDO CONSELHO)
NARRADOR/A: Então voltou a seguir o caminho anterior. Dias depois
ele soube que aquilo era uma emboscada. (pausa para Juvenal
caminhar, achar a pensão e hospedar-se) Depois de alguns dias de
viagem, achou uma pensão na beira da estrada onde pôde hospedar-se.
Pagou a diária e após tomar um banho, deitou-se para dormir.
GRITO
NARRADOR/A: De madrugada acordou assustado com um grito
estarrecedor. Levantou-se de um salto e ia dirigindo-se até a porta
para ir até o local do grito. Lembrou-se do segundo conselho do seu
ex-patrão:
FAZENDEIRO: (somente a voz) – Nunca seja curioso para aquilo que é
mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal.
JUVENAL VOLTOU A DORMIR. AO AMANHECER, APÓS TOMAR O CAFÉ...
HOSPEDEIRO: (vindo de encontro a Juvenal) Ué, você por aqui ? (diz
espantado). Por acaso você não ouviu um grito durante a madrugada ?
JUVENAL: Sim eu ouvi !
HOSPEDEIRO: E você não ficou curioso para saber do que se tratava ?
JUVENAL: A princípio sim, mas resisti a vontade de ver o que estava
acontecendo.
HOSPEDEIRO: Sorte sua, Deus deve estar ao seu lado mesmo. Pois esta
noite eu sofri de sonambulismo, e enquanto eu gritava, os hospedes
iam saindo dos quartos para ver o que estava acontecendo. Era aí que
eu os matava, e os enterrava no quintal. Não acredita ? Então venha
ver...
JUVENAL ARRUMA RAPIDAMENTE AS SUAS COISAS E FOGE COM MEDO
NARRADOR/A: Juvenal seguiu sua longa caminhada, ansioso por chegar
em sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada, já ao
entardecer, viu entre as árvores a fumaça da sua casinha. Andou e
logo viu ente os arbustos, a silhueta da sua esposa. (pausa e entra
música) O dia estava escurecendo, mas ele pôde ver que sua esposa
não estava só. andou mais um pouco e viu que ela tinha deitado em
suas pernas um homem a quem ela acariciava os cabelos. Quando ele
viu aquela cena o seu coração se derreteu de ódio e amargura, e ele
decidiu-se a correr de encontro aos dois e matá-los sem piedade.
Respirou fundo e apressou os passos, quando se lembrou do terceiro
conselho:
FAZENDEIRO: (somente a voz) Nunca tome decisões em momentos de ódio
e de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.
JUVENAL PAROU, REFLETIU, OROU MUITO E DECIDIU DORMIR ALI AQUELA
NOITE
JUVENAL: (acordando) É nada como um dia após o outro. Agora que
estou de cabeça fria decidi que não vou mais matar minha esposa e
nem seu amante. Vou voltar a trabalhar para o Sr. Osvaldo. Antes
porém, tenho que dizer a ela que por todo esse tempo eu fui fiel a
ela.
DIRIGIU-SE À PORTA DA CASA E BATEU. QUANDO A ESPOSA ABRE A PORTA E
RECONHECE QUE É O SEU MARIDO, ELA SE ATIRA AO SEU PESCOÇO E O ABRAÇA
AFETUOSAMENTE. ELE TENTA AFASTÁ-LA, MAS NÃO CONSEGUE. ENTÃO EM
LÁGRIMAS ELE DIZ:
JUVENAL: (diz chorando) Eu fui fiel a você e você me traiu.
NATALINA: (espantada) Como ?, eu não lhe trai, antes o esperei
durante esses vinte anos.
JUVENAL: E aquele homem que você estava acariciando ontem ao
entardecer ?
NATALINA: Aquele homem é nosso filho, quando você foi embora eu
descobri que estava grávida e hoje ele está com vinte anos de idade.
ABRAÇOS E NOVA MÚSICA
NARRADOR/A: Então o marido entrou, conheceu e abraçou seu filho,
contou-lhe toda a sua história enquanto a esposa preparava o café, e
então sentaram-se para tomar o café e comer o último pão.
ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO E LÁGRIMAS DE EMOÇÃO
NARRADOR/A: Após a oração de agradecimento e lágrimas de emoção, ele
parte o pão. E ao parti-lo, ali estava todo o seu dinheiro.
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